Tuesday, June 05, 2007

 
FRESTAS DO CORAÇÃO...
O tempo passou, eu sei, vejo isso em cada rosto ao longo do caminho, no meu dia-a-dia; Até mesmo no meu espelho que não falha nunca! É outono lá fora, embora as vezes esqueça disso... Outono é para mim, renovação! As folhas caem, um vento gelado sopra... e algo se prepara para acontecer... O passado vem à tona, as lembranças se afincam, os desejos cobram mais. Sinto-me cheia de vida, cheia de graça... Numa preparação que antecede as grandes paixões, aos grandes amores... Sem querer descubro uma fresta no coração, não aquela já tão conhecida pela minha cardiologista, e pelos inúmeros exames de ecocardiograma, mas uma fresta prazerosa e sutil, quase tímida. Onde posso vislumbrar a passagem de um sentimento até então desconhecido, um sentimento de paz, de uma certeza quase que bucólica de que é chegado o momento de seguir mais uma vez os rumos do coração. Desse coração que ama sem medidas, sem calcular distâncias entre locais ou mundos. Desse coração que se lança por inteiro, no claro ou no escuro, na verdade quase sempre no escuro... Num mergulho que impressiona até mesmo a mim! Ah, coração insano e louco, mas que como diz minha irmã, só cabe dentro do meu peito, e de mais ninguém! Frestas, frestas... Acredito que são elas as portas reveladoras da nossa alma... Elas existem para que possamos nos entregar sem medidas, sem questionamentos tolos e sanos... Frestas existem para que possamos viver, viver intensamente, mesmo que momentaneamente! Frestas da paixão, frestas dos sonhos, frestas dos devaneios... Frestas por onde passam a alegria de minha alma...
Aninha Valença
MCZ/JUNHO/2007

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